
Uma coisa anda pela minha cabeça há algumas semanas... Acredito que todo mundo, em algum momento, já passou por isso. Mas o mais importante, eu acho, é observarmos se já cometemos esse “estranho ato”...
Do que estou falando? De entendimento mesmo.
Situação hipotética: Você está numa situação complicada e desabafa com um amigo (ou amiga), reclama de alguma situação, expõe seus sentimentos, fraquezas, dúvidas, etc. E ele está ali entendendo tudinho. Concorda com o que você diz, acompanha seu raciocínio. É capaz de ter até uma certa empatia por sua dor e fragilidade... Acha você sensível, acha que o que fizeram é mesmo uma injustiça. Afinal, que pessoa mais linda está à sua frente, mesmo com toda a sua vulnerabilidade.
De repente, eis que esta pessoa se torna seu namorado (ou namorada). Pronto! Tudo isso acabou. Não há mais entendimento. Tudo que disser não será mais entendido. Qualquer tentativa de você esboçar um pequeno sentimento ou reclamação (que pode ser uma bobagem) dá início ao apocalipse! Com direito a anjos com trombetas e fogo flamejando do céu, igualzinho ao da bíblia!
Achou dramático? Dramático é ter que virar o Charles Chaplin! É fazer cinema mudo, é não poder dizer nada. É fazer graça sobre algo que pra você, naquele instante, é importante e possivelmente difícil... É ter que negar suas vulnerabilidades porque aos olhos do outro você deixou de ser aquela pessoa bonita, (que inclusive o levou a estar com você), e virou o ser mais insuportável que existe no mundo.
Pra quê tanta defesa? Se defender de ser feliz? Se defender de ouvir o outro e tentar fazer algo para que tudo continue bem?
Alguém pode me explicar isso?