SEJAM BEM VINDOS!

Tendo pisado neste caminho de sonho, do mundo ilusório,
Sem olhar para os rastros que talvez tenha deixado;
O canto do cuco me alertou para ‘voltar pra casa’ -
Ouvindo isto, brigo com minha cabeça para ver
Quem havia me dito para voltar atrás;
Mas não me perguntou onde tenho dado cabeçadas,
Já que viajo neste mundo sem limites
Onde cada passo que dou, é minha casa.

Doge

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Entendimento seletivo



Uma coisa anda pela minha cabeça há algumas semanas... Acredito que todo mundo, em algum momento, já passou por isso. Mas o mais importante, eu acho, é observarmos se já cometemos esse “estranho ato”...
Do que estou falando? De entendimento mesmo.
Situação hipotética: Você está numa situação complicada e desabafa com um amigo (ou amiga), reclama de alguma situação, expõe seus sentimentos, fraquezas, dúvidas, etc. E ele está ali entendendo tudinho. Concorda com o que você diz, acompanha seu raciocínio. É capaz de ter até uma certa empatia por sua dor e fragilidade... Acha você sensível, acha que o que fizeram é mesmo uma injustiça. Afinal, que pessoa mais linda está à sua frente, mesmo com toda a sua vulnerabilidade.
De repente, eis que esta pessoa se torna seu namorado (ou namorada). Pronto! Tudo isso acabou. Não há mais entendimento. Tudo que disser não será mais entendido. Qualquer tentativa de você esboçar um pequeno sentimento ou reclamação (que pode ser uma bobagem) dá início ao apocalipse! Com direito a anjos com trombetas e fogo flamejando do céu, igualzinho ao da bíblia!
Achou dramático? Dramático é ter que virar o Charles Chaplin! É fazer cinema mudo, é não poder dizer nada. É fazer graça sobre algo que pra você, naquele instante, é importante e possivelmente difícil... É ter que negar suas vulnerabilidades porque aos olhos do outro você deixou de ser aquela pessoa bonita, (que inclusive o levou a estar com você), e virou o ser mais insuportável que existe no mundo.
Pra quê tanta defesa? Se defender de ser feliz? Se defender de ouvir o outro e tentar fazer algo para que tudo continue bem?
Alguém pode me explicar isso?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pausa!



“A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta. (...)
Hoje, até o tempo de 'pausa' é preenchido. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido. (...)
A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. (...)
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. (...)”
Adaptado de Nilton Bonder

Pois é, dei uma longa pausa... para que agora pudesse continuar. Uma pausa necessária e vital, assim como um artista se afasta de sua obra para poder observá-la antes de continuar.
Para se ver a ilha é preciso se afastar dela, se estamos nela, não a vemos. Pelo menos, não em sua totalidade. Assim deveríamos fazer com a própria vida. Nessas pausas percebemos muitas coisas e podemos decidir sobre elas: pessoas, lugares, atividades, o próprio rumo da vida... não importa. Cada um faz a faxina que achar necessária. O importante é estar feliz com o que vemos.